Era Campo dos Afonsos

(1911 – 1932)

O planeta mal havia despertado das emoções e deslumbramentos com que SANTOS DUMONT

em seus balões dirigíveis e com o voo do 14 Bis, havia presenteado a humanidade nos primeiros anos do século passado e já o grande jornalista IRINEU MARINHO, dono do vespertino “A NOITE” precursor das organizações GLOBO de jornalismo, fora cativado pelo charme que envolvia as primeiras “maquinas voadoras” e pelo destemor dos primeiros loucos aviadores.

Em 14 de outubro de 1911, apenas cinco anos após o voo do 14 Bis, cedendo gentilmente as instalações de seu jornal, permitiu que se reunisse ali um grupo de idealistas para a assembleia de constituição do Aeroclube Brasileiro.

Por ter sido o 1º a ser fundado no Brasil e um dos primeiros no mundo, pode-se considerar o AEROCLUBE BRASILEIRO o verdadeiro “BERÇO DA AVIAÇÃO BRASILEIRA”.

Na ata de fundação, cuja original é ainda até hoje preservada, constam os nomes de civis e militares ilustres, políticos, professores, homens de negócios, todos irmanados pelo mesmo ideal: “fomentar no Brasil o desenvolvimento da novel e futurosa arte da aviação”.

Mas o mais notável é o fato de que a primeira assembleia aclamou como Presidente de Honra o sócio fundador ALBERTO SANTOS DUMONT. O Almirante JOSÉ CARLOS DE CARVALHO – o herói mais condecorado da guerra do Paraguai – foi o primeiro Diretor Presidente.

O tradicional e lendário aeródromo militar dos Afonsos nasceu do que foi o primeiro campo de aviação do Aeroclube, construído com muito esforço e perseverança pela primeira diretoria e onde funcionou a “Escola Brasileira de Aviação”.

Os primeiros aviões adquiridos pelo Aeroclube, com recursos arrecadados em subscrição publica, em 1914, foram cedidos ao Exército para servirem pela primeira vez nas Américas como instrumento de observação aérea na histórica “Guerra do Contestado” em Santa Catarina. Anteriormente apenas a Itália havia empregado o avião em operação militar, no norte da Abissínia em 1911.

Na campanha do “Contestado” perdeu a vida, em sua primeira incursão ao reduto inimigo, acidentando-se com uma das aeronaves cedidas pelo Aeroclube, o Ten. RICARDO KIRK, da arma de engenharia do Exército, instrutor de voo e diretor da Escola de Aviação do Aeroclube. Era 1º de março de 1915. Foi a primeira vítima da aviação brasileira e logo na primeira vez em que o Brasil utilizou o avião como arma de combate.  RICARDO KIRK é hoje o patrono da aviação do exército.

Outros fatos marcaram a presença do aeroclube nesta campanha.  Ao serem transportadas em vagões pela ferrovia São Paulo – Rio Grande para a região do conflito, duas aeronaves do Aero Clube Brasileiro foram seriamente danificadas pelo fogo gerado por  fagulha desprendida da locomotiva. Isto não abateu os ânimos dos militares do exército e o aeroclube enviou mais duas aeronaves posteriormente.

Após a morte de RICARDO KIRK e com a demorada recuperação dos aviões emprestados ao Exército, somente em 1916 pode ser reiniciado o curso de pilotagem, agora sob a direção do Tenente BENTO RIBEIRO FILHO.

A 1ª turma, composta de sete civis e dois militares, não chegou a brevetar-se, pois às vésperas dos exames os dois únicos componentes da banca examinadora, Tenentes BENTO RIBEIRO e VIRGINIUS DELAMARE, não puderam comparecer por terem sido mobilizados, em virtude da declaração de guerra do Brasil ao Império Alemão em outubro de 1917, pelo afundamento do navio cargueiro brasileiro “Paraná”.

Em junho de 1918, EDU CHAVES é designado Diretor Técnico do Aeroclube e sugere a transferência dos aviões dos Afonsos para Guapira, onde funcionaria então a “Seção Paulista do Aeroclube Brasileiro”.

No ano seguinte foi efetivada a filiação do Aeroclube junto a FAI (Fédération Aéronautique Internationale), cujo processo de filiação fora iniciado em 1913 pelo Tenente RICARDO KIRK e interrompido durante o recesso provocado pela Guerra 1914/18.

Como representante da FAI, passou o Aeroclube a exercer basicamente a função oficial examinadora dos pilotos formados no Brasil, concedendo-lhes os respectivos brevês. O brevê N.º 1 foi dado ao piloto RAUL VIEIRA DE MELLO, 1º Ten do Exército, em 21/8/1919.

Neste ano o Ministro General Caetano de Faria informava ao Presidente do Aeroclube que o Exército iria precisar das instalações do Campo dos Afonsos para instalar sua própria Escola de Aviação Militar.

Sem campo de aviação no Rio de Janeiro, o Aeroclube agora sob a Presidência do Dep. Maurício de Lacerda, dedicou-se a promover, estimular e a colaborar na criação de escolas de aviação em todo o Brasil, credenciando delegados em vários Estados. Porem, como representante da FAI, continuou responsável por emitir todos os breves para pilotos, civis e militares.

Em 1931, quando já existiam várias escolas de pilotagem no Brasil e a aviação comercial já era uma realidade, foi criado o Departamento de Aeronáutica Civil no Ministério de Viação e Obras Públicas, que passou a controlar e regulamentar as atividades aéreas civis. Esvaziava-se assim a função normativa do Aeroclube e reduzia-se a importância da atividade de representação da FAI, já que os brevês concedidos pelo DAC tornavam desnecessários os da FAI, pelo menos para voar dentro do Brasil.

A História do Aeroclube do Brasil

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Intimamente ligada aos primórdios da aviação no país. Conheça um pouco mais a respeito da nossa instituição e saiba porque somos considerados o berço da aviação brasileira.

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